VAR? Há quatro décadas, o futebol começava a descobrir o VT 

[ad_1]

Desde que Charles Miller trouxe da Inglaterra as primeiras bolas feitas de capotão e bexiga de boi, em 1884, o futebol brasileiro sempre acompanhou — por vezes com bastante atraso, diga-se — os avanços da tecnologia. Se hoje a inovação que mais dá o que falar é o auxílio do árbitro assistente de vídeo, o tão controverso VAR, há cerca de quatro décadas outro tipo de filmagem, bem menos sofisticada, começava a produzir uma revolução em todas as modalidades esportivas.

Clique aqui e assine PLACAR com preço especial, a partir de 8,90 reais por mês!

Os mais jovens talvez nunca tenham ouvido falar do videoteipe, ou simplesmente VT, protagonista de uma reportagem especial da edição de PLACAR de 8 de fevereiro de 1985. “Ele ensina, serve de espião e corrige erros”, diz trecho do texto assinado por Zuba Coutinho, escolhido para a estreia do blog #TBT PLACAR, que todas as quintas-feiras fará uma viagem por nossos 50 anos de sua história.

A matéria intitulada “A Geração Eletrônica” (clique aqui para lê-la, na íntegra, a partir da página 60) acompanhou a rotina de equipes de futebol como Corinthians, São Paulo, Juventus e também do técnico Telê Santana, que ainda trabalhava na Arábia Saudita e, munido de seus videocassetes, se preparava para reassumir a seleção brasileira. Também foram ouvidos ídolos do vôlei, do judô e do boxe. As opiniões eram unânimes: o VT abriu novos horizontes para os atletas e treinadores profissionais.

“O peso do videocassete no esporte — um campo de ação em que a capacidade de perceber e corrigir erros e de descobrir os segredos dos rivais pode ser a diferença entre a derrota e a vitória — começa a ocupar espaço importante na preocupação dos brasileiros”, introduziu Zuba Coutinho.  Hoje pode soar absurdo, com tantas câmeras e sistemas de dados e estatísticas disponíveis em praticamente todos os departamentos dos clubes, mas até nem tanto tempo atrás, era possível que uma grande seleção disputasse uma Copa do Mundo sem ter praticamente nenhum conhecimento sobre seu adversário.

Continua após a publicidade

Isso ocorreu, em certa medida, até o fim da década de 70, quando a figura dos olheiros, como eram chamados os espiões enviados a jogos e até treinamentos dos rivais, era essencial. Tudo mudou com o desenvolvimento das transmissões esportivas e dos VTs. “A história do nosso vôlei pode ser dividida em duas fases: antes e após o videocassete”, afirmou José Carlos Brunoro, então técnico da seleção brasileira masculina, um homem sempre atento às inovações estrangeiras e que já utilizava o estudo de vídeo desde 1981. “Hoje um técnico não pode ir para a quadra sem conhecer o adversário”.

Ídolo nacional: o pugilista José Adilson Rodrigues dos Santos, o MaguilaSaulo Mazzoni/Placar

A filmagem dos jogos não servia apenas para analisar o outro lado, mas também para corrigir os próprios movimentos. “Um jogador que não gostou de ser substituído, ao ver de cabeça fria sua atuação, pode reconhecer que o técnico teve razão”, contou o então gerente de marketing do São Paulo, Cândido Motta Pinto.

O clube tricolor, aliás, foi o primeiro a investir pesado em um departamento de vídeo, desde o início dos anos 80. O técnico Cilinho (1939-2019), homem responsável por lançar o jovem time conhecido como “Menudos do Morumbi”, em alusão ao famoso grupo musical porto-riquenho da época, era um fervoroso usuário do VT . “Como no ano passado, passarei teipes durante o café da manhã dos atletas. Poderão até ser filmes do tipo Os 50 Maiores Gols do Brasil“, explicou Cilinho, rebatendo as críticas de que teria começado mal o Paulistão daquele ano por não ter estudado os rivais.

Além de ser o pai da análise de desempenho, o VT também precedeu o que hoje chamamos de “DVD”, ou seja, a compilação de vídeos com melhores momentos de um atleta, visando uma negociação. Foi assim que o São Paulo vendeu o meia Aílton Lira para o futebol árabe. Para José Adilson Rodrigues dos Santos, mais conhecido como Maguila, um dos grandes ídolos do boxe nacional, o VT era ainda mais importante, pois, segundo a reportagem de PLACAR, assumia o papel de sparring.

“Fora seu irmão Gílson, um heroico meio-pesado, nenhum peso-pesado se atreve a servir de sparring para o campeão sul-americano – que não consegue bater fraco nem em treinos. Sem tradição nesta categoria, o ringue brasileiro não oferece homens que ajudem Maguila a desenvolver suas técnicas defensivas nos treinos”, escreveu Zuba Coutinho, em uma era pré-MMA. Maguila, então, aprendia a se defender de forma visual, assistindo a lutas dos oponentes. “Ela presta uma atenção cavalar. E, algumas vezes, manda voltar o teipe, descobrindo detalhes que passam despercebidos aos nossos olhos”, contou Manuel Sampaio, advogado e amigo de Maguila. Os tempos mudaram, mas a essência segue a mesma: quem se atualiza, tende a colher os frutos.

Continua após a publicidade

[ad_2]

Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *