O “clássico da numerologia”

O “clássico da numerologia”

Eu sou do Rio. Nasci, cresci e, em 2021, de onde venho, ainda vivo no Rio. Mas digo a vocês, sem medo de errar, que a segunda cidade no mundo onde mais passei, ou melhor, passarei tempo na vida será São Paulo. Nas próximas três décadas, vou estar mais vezes na capital paulistana do que em Niterói, tão pertinho, ou mesmo na Tijuca – que, como todo carioca sabe, também é outra cidade. E digo isso porque durante cerca de 20 anos, por compromissos profissionais e em diferentes empregos, embarcarei na Ponte-Aérea de duas a quatro vezes por mês! Assim, não foi difícil sentar na máquina do tempo e escolher a data para a qual deveria viajar esta semana: e aqui cheguei, nesse 20 de dezembro (12), finalíssima do Paulistão de 1992. Mais 2 minutos e vocês vão entender os negritos…

De todos os que estiveram ontem no Morumbi ou torcendo pelo rádio ou TV, eu era o único a saber de um detalhe inusitado que agora revelo a vocês: novo embate entre os dois clubes para decidir o estadual só voltará a acontecer daqui a 29 anos. E em 2021 será o São Paulo, e não o Palmeiras, como ontem, que estará na fila, com os mesmos 16 anos de espera por um título regional. É apenas mais uma coincidência numérica que me faz hoje defender a troca de nome deste clássico, de “Choque-Rei” para “Clássico da Numerologia”. Mas isso é papo para daqui a pouco neste texto. Pra daqui a exatas 22 linhas. Ou duas a mais ou menos disso.

O jogo de ontem, os torcedores ligados em estatísticas devem saber, foi a primeira vez que Palmeiras e São Paulo decidiram o Paulistão numa final de um contra um. Ou seja, em 2021 teremos a segunda final. Já entregando fatos do futuro do futebol, em 2021 o São Paulo estará amargando não apenas os 16 anos já revelados mas um jejum mais sério. Segura essa: nove anos sem qualquer título oficial! Já o Palmeiras estará buscando o bi-campeonato, o que não terá acontecido nos últimos 27 anos. Xiiii… Sem querer acabei dando mais um de bandeja pra vocês. Sim, nos próximos dois anos (observem: dois anos!) 93 e 94, o Verdão vai mamar nas tetas do sucesso e do novo parceiro, a Parmalat. E não apenas no estadual. Aguardem… Aos são-paulinos aconselho a aproveitarem bem este momento de glórias, o Mundial do Japão semana passada, o Bi conquistado ontem sobre o rival… Pois no início dos anos 20 do século XXI os ventos não estarão soprando muito pro lado do Morumbi. Isto é, até estarão, mas apenas em tempestades inesperadas que inundarão as ruas do bairro e farão nascer cachoeiras e lagoas nas dependências do clube.

Raí, do São Paulo, x Toninho, do Palmeiras, durante primeiro jogo da final do Campeonato Paulista, no Morumbi –Silvio Porto/Placar

Mas voltemos aos números. Biênios e o próprio algarismo 2 são mesmo a marca do clássico. Numerologia pura! Anotem aí: ano que vem, falo de 1993, será a quarta (2×2) vez na história que o Palmeiras vai impedir um tricampeonato tricolor no campeonato paulista, igualzinho a 1947, 1950 e 1972. Mas toda moeda tem dois lados: ainda no início dos anos 2000, o São Paulo será algoz do Palmeiras por dois anos seguidos, eliminando-o da Libertadores. Em 2021, será de dois a diferença de estaduais conquistados por cada agremiação, ambos na casa dos 20: 23, Palmeiras; 21, São Paulo. Em que ano estamos? Mil novecentos e noventa e… Dois! De que ano eu venho? 2021, em que temos duas vezes o segundo dos algarismos. Em 2021, o Palmeiras estará buscando o que? O Bi!!!!! Será um presságio?

Tem mais: em 2021, os dois clubes ainda estarão em outras disputas, como a da torcida número 2 em tamanho no estado e da agremiação em segundo lugar em número de campeonatos estaduais. Ambos chegarão em 2021 com 20 participações na Libertadores; placares desses dois jogos finais de 1992? 4 (múltiplo de dois) x 2 pro tricolor; e 2 x 1 (metade de 2). E quem foi o destaque dessas duas partidas finais que acabamos de acompanhar? Cafu, que antes do fim desse século, podem me cobrar, entrará para a galeria do futebol brasileiro levantando uma Copa nas mãos e tendo às costas o número… Dois!!!!

É ou não é “clássico da numerologia”? Até porque chamar de “CLÁSSICO DOS DOIS” soaria por demais redundante. Podemos adotar esse nome ano que vem 1922, que tal? A expressão “Choque-Rei” nasceu nos anos 40 (olha o múltiplo de dois aí de novo!), criada pelo jornalista Tomaz Mazzoni, do jornal “A Gazeta Esportiva”. Isso porque, a partir de 1942, os dois times, Palmeiras e São Paulo, monopolizaram o Campeonato Paulista, se revezando na conquista da competição. Mas agora os números falam por si. Basta olhar a numeralha das estatísticas do confronto, que chamam a atenção pelo paridade. Exemplo: em 2021, o São Paulo terá apenas uma ou duas vitórias a mais do que o Palmeiras (há duas versões a respeito). E o que diz a numerologia sobre o algarismo que marca este duelo? “Número dois: EQUILÍBRIO”. E juro que não dei “um dois” pra escrever isso.

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