Domínio tático, técnico e psicológico: como Guardiola anulou Neymar

Domínio tático, técnico e psicológico: como Guardiola anulou Neymar

Mais uma vez, o sonho de Neymar de levar o Paris Saint-Germain ao topo da Europa terminou em frustração. Não seria justo, porém, culpar o atacante brasileiro de 29 anos. Ele não “pipocou”, como dirão seus inúmeros haters, tampouco se salvou, pois mal conseguiu tocar na bola em condições de brilhar. Na realidade, Neymar voltou a cair na armadilha de um dos maiores gênios do esporte, o técnico Pep Guardiola, bicampeão da Liga dos Campeões da Europa com o Barcelona e que agora buscará erguer o troféu pelo Manchester City na decisão contra Chelsea ou Real Madrid.

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A contundente vitória por 2 a 0 do clube inglês sobre o PSG nesta terça-feira, 4, tem todas as digitais do treinador catalão de 50 anos. O primeiro gol de Ryad Mahrez, é Guardiolismo puro: nasce da saída de bola desde a defesa, atraindo a marcação rival para abrir espaços. Intencionalmente pressionado, o goleiro brasileiro Ederson acertou lançamento perfeito (saber jogar com os pés é pre-requisito para os arqueiros de Guardiola) para Zinchenko, posicionado no lugar exato. Jogada treinada, pensada, assim como contra-ataque perfeito que matou o jogo na segunda etapa.

A base da estratégia de Guardiola, porém, passou por neutralizar o talento dos adversários, especialmente, o de Neymar. Em um brilhante artigo publicado no último fim de semana pelo diário britânico The Guardian, o ex-jogador Philipp Lahm, capitão da Alemanha no título da Copa de 2014, detalhou o especial fascínio de Guardiola, com quem trabalhou no Bayern, pelos craques. “Para Guardiola, a qualidade individual é a essência do futebol. (…) Ele adora as habilidades e o talento de seus jogadores”, escreveu Lahm. “Alguns treinadores buscam reduzir a complexidade do futebol. Guardiola, porém, quer dominá-la.” Em suma, ele explica que Guardiola faz de tudo para potencializar o talento de seus jogadores – na mesma medida em que tenta anular o dos adversários. 

Contra Neymar, que vinha de atuações exuberantes diante do campeão Bayern de Munique, o plano de Guardiola foi extremamente bem sucedido. Na primeira partida, na França, o Manchester City escondeu a bola, dominando a posse. Dessa maneira, o brasileiro não teve tanta influência na criação e se tornou, na maior parte, um mero marcador em linha baixa, correndo para fechar as linhas de passe. Na volta, com a vantagem nas mãos, o City teve menos posse, porém soube controlar o ritmo.

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Com pouquíssimos espaços entre as linhas defensivas do City, o craque brasileiro sofreu, foi desarmado e não desempenhou bem. Nos dois jogos, Neymar, que não marca em mata-matas desde as oitavas de final do ano passado, contra o Borussia Dortmund, somou apenas duas finalizações no gol, uma para fora, nove dribles tentados, cinco bem sucedidos e nove faltas sofridas, de acordo com dados do SofaScore. Muito pouco.

Elogios rasgados na véspera

Guardiola parece ter pensado em tudo e não deu chances sequer para que Neymar o vencesse no aspecto psicológico. Na fase anterior, o atacante brasileiro se mostrou contrariado com uma simples, quase protocolar, declaração de Joshua Kimmich, do Bayern, que disse acreditar na vitória do atual campeão, que, segundo ele, era “o melhor time”. Após o jogo, Neymar tripudiou do rival. A estratégia de buscar fantasmas imaginários como motivação-extra é antiga e usada por diversos atletas e treinadores. Guardiola não quis dar sopa para o azar e, em vez de cutucar, decidiu rasgar elogios a Neymar.

O primeiro encontro: 4 a 0 em 2011Mike Hewitt/Getty Images

“Sou um grande admirador dele. Acho que ele faz o nosso futebol ser melhor. É uma alegria ver Neymar no campo. Como espectador, me divirto muito toda vez que o vejo. É legal ver a plasticidade do estilo dele e sua personalidade”, disse, entre outras manifestações de afeto (que, muito provavelmente, são sinceras).

Neymar e Guardiola se conhecem há bastante tempo. Estiveram frente a frente pela primeira vez em 18 de dezembro de 2011, em Yokohama, na decisão do Mundial de Clubes entre Barcelona e Santos. O clube catalão dominou por completo a partida, vencendo por 4 a 0, naquela que Guardiola considerou como a melhor atuação daquele Barça histórico. Neymar, então um prodígio de 19 anos, teve apenas atuação discreta, assim como hoje.

O brasileiro, no entanto, já chegou a vencer Guardiola duas vezes, quando atuava no Barcelona, em uma reunião de talentos quase imbatível com Lionel Messi e Luis Suárez. Isolado (nesta terça sequer teve a companhia de Kylian Mbappé, lesionado), o técnico catalão voltou a superar o craque – algo que também se acostumou a fazer com outra lenda, Cristiano Ronaldo. Juntando os confrontos contra o português e o brasileiro, em 23 jogos, o treinador venceu 13, empatou quatro e perdeu apenas seis. Guardiola é craque.

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