O dia em que Philip e Elizabeth II se curvaram diante da realeza de Pelé

O dia em que Philip e Elizabeth II se curvaram diante da realeza de Pelé

O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, que morreu nesta sexta-feira, 9, aos 99 anos, foi presença constante em grandes eventos esportivos ao longo das mais de sete décadas em que esteve ao lado da esposa. Seu time do coração não era conhecido — especula-se que o da Rainha seja o West Ham e o do filho Charles, o Burnley —, mas diversos registros fotográficos confirmam o entusiasmo do Duque de Edimburgo em estádios de futebol. Um dos eventos mais memoráveis ocorreu em pleno Maracanã, em um verdadeiro encontro de Majestades diante de mais de 100.000 súditos.

O ano era 1968, marcado pela Primavera de Praga, pelo auge da Guerra do Vietnã, por protestos estudantis ao redor do mundo, pelo auge da Guerra da Fria, pelo assassinato de Martin Luther King, pelos protestos dos Panteras Negras na Olimpíada do México e pelo surgimento do movimento hippie, entre outros fatos históricos. No Brasil, a ditadura militar já ensaiava seus movimentos mais cruéis, mas o país viveu uma tarde de enorme alegria naquele 10 de novembro.

Jogavam a seleção carioca, com Gerson como destaque, e a paulista, de Pelé. Durante muitas décadas, o amistoso entre os escretes dos principais estados do país foi uma grande atração. A Rainha Elizabeth II e o Príncipe Philip já haviam passado por Recife, Salvador, Brasília, São Paulo, Campinas e Campinas antes de encerrarem sua primeira e única visita juntos ao Brasil no Rio de Janeiro. A missão diplomática real tinha como objetivo estreitar relações com brasileiros e chilenos e ampliar a influência britânica no continente. O afago em Pelé certamente contribuiu para o objetivo.

Conta-se que partiu da própria Elizabeth II, que dois anos antes vira de perto o camisa 10 sofrer com a truculência dos rivais na Copa do Mundo da Inglaterra, o desejo de ver o rei Edson Arantes do Nascimento no Maracanã. O duelo entre cariocas e paulistas foi organizado justamente com este propósito, e valia não apenas um afago da rainha, mas um prêmio de 1 milhão de cruzeiros.

A seleção carioca, com seu tradicional uniforme azul, entrou em campo com Félix, Moreira, Brito, Leônidas e Paulo Henrique; Carlos Roberto, Gérson e Paulo César; Nado, Jair e Roberto; a paulista, com sua camisa listrada em preto e branco, com detalhes vermelhos na gola, jogou com Picasso, Carlos Alberto, Jurandir, Dias e Rildo; Clodoaldo, Rivelino e Pelé; Paulo Borges, Toninho e Abel.

Diante das presenças ilustres nas cadeiras de honra do Maracanã, Pelé marcou o seu, o 900º de sua carreira (o milésimo viria no ano seguinte, no mesmo estádio, contra o Vasco). A seleção paulista venceu o jogo por 3 a 2: Toninho e Carlos Alberto Torres marcaram os outros gols, enquanto Roberto e Paulo Cezar Caju, colunista de PLACAR e então ídolo do Botafogo, descontou para os anfitriões.

Com a vitória, deu-se o tão aguardado encontro entre Pelé e Elizabeth, com Philip e o presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), João Havelange, ao lado. Ao ser apresentada ao camisa 10, a Rainha teria dito, segundo os jornais da época. “Eu sei. Já o conheço de nome e me sinto muito feliz em cumprimentá-lo.”

Esta, no entanto, não foi a primeira presença de Philip em um estádio brasileiro. Seis anos antes, em 1962, desta vez sem a presença da esposa, o duque de Edimburgo assistiu à partida entre Santos, de Pelé, e Palmeiras, no Pacaembu. Mesmo não sendo um grande fã de futebol, ele certamente curtiu o espetáculo: 5 a 3 para o Peixe, com dois gols do Rei.

Philip entre a Rainha Elizabeth e o capitão inglês Bobby Moore, com a taça da Copa do Mundo, em Wembley, em 1966Hulton-Deutsch Collection/Getty Images
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